A hipnose no tratamento de distúrbios sexuais

por Dr. Osmar R. Colás (Coordenador do Grupo de Estudos de Hipnose – São Paulo)

Muito utilizada por médicos, psicólogos e dentistas, cada vez mais a hipnose vem se firmando como um excelente instrumento (complementar ou isolado), de tratamento para várias doenças, principalmente as psicossomáticas.

Entre as doenças psicossomáticas, provavelmente as mais ligadas aos processos mentais são os distúrbios sexuais. Sabemos que as dificuldades sexuais tanto masculinas como femininas são muito comuns, mas na atualidade as mulheres estão assumindo sua sexualidade de uma maneira tão saudável, que estão procurando precocemente ajuda médico-psicológica para seus problemas. Os homens, por machismo ou vergonha se recusam a procurar ajuda no início dos sintomas e, freqüentemente, chegam em estados muito mais graves e avançados.

Entre as mulheres, os problemas mais comuns são a perda do libido (desejo sexual), dificuldades de excitação (lubrificação genital e ereção clitoriana), ausência de orgasmo e uma situação muito comum e trágica que é o Vaginismo Absoluto Psicogênico, onde a mulher apresenta uma contratura da musculatura genital tão forte, que impede a penetração vaginal, levando-a a sentir-se incapaz de realizar o ato sexual ou conseguindo-o, às custas de enorme sofrimento e desprazer. Esta situação apesar de dramática é geralmente resolvida em poucos meses com a terapia correta baseada numa abordagem educativa, fisioterapêutica e psicoterápica. Nestas situações a hipnose também pode ser utilizada acelerando o processo terapêutico, com resultados brilhantes (trabalho apresentado por nós no Congresso Brasileiro de Medicina Psicossomática em.2002)

Entre os homens, os problemas mais comuns são: a queda do libido, ejaculação rápida ou precoce, perda da ereção durante o ato sexual e a impotência. Devemos lembrar que antes de afirmarmos que os problemas são psicológicos, deverão os pacientes ser examinados para afastarem outras causas como doenças crônicas, problemas hormonais, uso de medicamentos ou drogas, estresse agudo ou crônico, etc. Este raciocínio deve também ser seguido para as mulheres. Freqüentemente as causas são associadas e todas as situações desencadeadoras deverão ser discutidas e na medida do possível afastadas.

O uso da hipnose como instrumento terapêutico está indicado quando queremos explorar possíveis vivências e experiências traumáticas reprimidas (e, portanto, não disponíveis conscientemente), que podem ser as causas dos problemas apresentados (p.e. violência ou abuso sexual). A revivência do fato pode ser ressignificada e reinterpretada, permitindo que os processos inconscientes se reorganizem em relação ao sintoma. Outras utilizações da hipnose em disfunções sexuais são as técnicas de motivação e vivências criativas (progressões) onde a paciente em transe vivencia a experiência desejada com êxito e prazer, “plantando” ou “semeando” uma nova experiência emocional mais forte e positiva, em substituição à anterior desajustada e frustrante. As técnicas de auto-hipnose ensinadas para o paciente  servem como rituais, não só para diminuição da ansiedade, mas também como uma continuidade do processo de reorganização interna, iniciada no consultório.

Enfim, devemos informar que cada dia mais as pessoas estão aceitando o fato de que a sexualidade deve ser exercida sem medo e sem preconceitos, e que seus problemas devem ser tratados como qualquer outro, por profissionais especializados e que as psicoterapias, principalmente as abordagens cognitivo-comportamentais (onde incluo a hipnose), estão se configurando como a melhor forma de tratamento destas situações.