Remédio para todos os males (me dá uma hipnose ai!)

Por Paulo Madjarof Filho

Não é incomum receber pessoas em meu consultório que no anseio de aplacar a sua angústia e sofrimento pede “uma hipnose” para isso ou aquilo, certas de que a razão desencadeadora de seu mal será apagada de sua mente como um arquivo é deletado de um computador.

A crença de que a utilização de uma técnica é capaz de produzir a solução imediata para a dor que a pessoa sente, é fundada no modelo médico que ainda figura fortemente em nossa cultura, onde por herança dos magos-feiticeiros e pajés-curandeiros, o médico é detentor do conhecimento de fórmulas e do poder da cura, possuindo certos dons capaz de restaurar a vida.

Ainda, a indústria farmacológica que reforça esses preceitos e cria necessidades, coloca-se presente em nosso dia-a-dia de tal forma, que chega a parecer um absurdo não ter em nossa casa pílulas de emergência para casos de enxaqueca, dores de barriga, muscular, cólicas, e outros males. Farmácias tornaram-se mais comuns que padarias!

É fundamental que o profissional terapeuta que utiliza a hipnose como recurso tenha claro o seu papel e as possibilidades de intervenção com essa ferramenta. De fato trata-se de um recurso extremamente útil e poderoso cuja utilização deve ser responsável. A hipnose não é uma panacéia!

O terapeuta deve, a exemplo de um tradutor literário, ler com acuidade o conteúdo implícito e explicito de seu cliente, entender sua linguagem, suas necessidades e potenciais, para só então, valendo-se desse entendimento, orientar sobre as viabilidades e realizar a tradução para o caminho terapêutico.

A responsabilidade de quem trafega por esta via, é velar pelos limites do respeito e honestidade, em especial nos esclarecimentos sobre as possibilidades dos recursos técnicos empregados no processo terapêutico.

Portanto, seja prudente e desconfie de ofertas milagrosas e baratas, soluções mágicas que são oferecidas como “caminho da felicidade”, pleno e redentor. Certifique-se sobre a qualidade de formação do profissional terapeuta e seu histórico de conduta junto aos órgãos competentes (CRM, CRP, CRO).