Enurese e hipnose

Por Paulo Madjarof Filho

Muito freqüentemente ouço a queixa de pais que relatam a preocupação com seus filhos que urinam na cama durante o sono.

Nestes casos, medidas como a redução de ingestão de líquidos e o habito de urinar antes de dormir se mostram pouco eficazes, e na maioria das vezes sequer altera o comportamento indesejado. Outras medidas como a forração plástica do colchão ou mesmo o resgate da utilização de fraldas também se mostram inúteis, além de não-recomendáveis, por sugerir a autorização e o reforço do comportamento. De fato essas medidas visam facilitar e resolver o incômodo gerado aos familiares, como o cheiro impregnado, o cuidado diário com as roupas, e a necessária retirada do colchão ao sol, gerando constrangimento e vergonha aos pequenos, além do sentimento de culpa e impotência.

É sempre importante relevar todos os aspectos envolvidos e consultar um médico especialista para afastar hipóteses de etiologia orgânica, mesmo que essas sejam raras nestes casos.

Do ponto de vista psico-emocional, devemos sempre levar em conta o contexto da criança, como por exemplo o relacionamento familiar, os medos e conflitos, sentimentos de perda, a chegada de um novo bebê, mudanças de ambiente, perturbações do sono, etc. Um bom e capacitado profissional poderá conduzir para estas identificações.

A contribuição dos exercícios mentais para a mudança de comportamento se mostra bastante eficaz, especialmente nestes casos. Sabemos que a criança é altamente hipnotizável pela facilidade de construir através da imaginação as suas brincadeiras e representar os papéis dos contos e estórias. É comum uma criança, mesmo depois de sofrer e chorar com uma estória contada pela mãe, fazer o pedido: “conta de novo” – reclamando inclusive se houver alteração do roteiro original!

Portanto, com a orientação adequada para a realização de exercícios mentais e a valorização dos aspectos positivos que indicam a mudança do comportamento, os pais podem atuar como os principais terapeutas. Nestas circunstâncias, costumo sugerir aos pais que aproveitem os momentos que antecedem o sono natural da criança para dialogar com o inconsciente e atuar nos pontos fundamentais desencadeante do comportamento de fazer xixi na cama.

Freqüentemente os resultados são gratificantes.