A hipnose como fator motivacional na educação

Por Paulo Madjarof Filho

Trabalhos realizados associando técnicas de hipnose por educadores e pesquisadores de diversas partes do mundo indicam a eficácia dessas técnicas para essa finalidade. Em meados de 1960, o búlgaro Georgi Lozanov desenvolveu a partir de suas pesquisas, a sugestopédia para o ensino de idiomas. Por seus resultados recebeu apoio da UNESCO para pesquisas na Universidade de Sófia, além do apoio do governo da Bulgária.

No Brasil, alguns trabalhos foram realizados  para mensurar a efetividade da hipnose no desempenho escolar. Num desses trabalhos* realizado com estudantes candidatos a uma vaga à Faculdade de Medicina de São Paulo, participou como sujeito-voluntário o Dr. Joel Priori Maia, atual presidente da AHIESP (Associação de Hipnose do Estado de São Paulo).

De fato não vem de hoje a preocupação com os métodos utilizados na educação e os problemas de atenção e concentração como fatores interferentes nos processos aprendizagem. Sabemos quão urgente e necessária é a revisão do modelo educacional ainda preponderante em que o professor exerce papel centralizador e determinante, que voluntária ou involuntariamente, pode favorecer ou prejudicar os resultados. Este aspecto foi abordado pelo Dr. Lozanov que destacava a importância do treinamento dos professores para o sucesso de seu método, valorizando a comunicação e a empatia acima do grau de conhecimento – que de nada vale se não for transmitido de maneira fácil e simples.

Acredito que a criação de laboratórios de aprendizagem para o treinamento de professores para o uso de técnicas de comunicação hipnótica, inclusive com o necessário auxílio da mídia tecnológica, muito minimizaria os conhecidos problemas de aprendizagem, especialmente aqueles relacionados à motivação para aprender.

E por falar em motivação para aprender, recordo de um caso que me foi encaminhado um aluno com dificuldades de atenção. Após a avaliação, ficou evidente que para os aspectos em que se sentia motivado, como por exemplo os jogos de videogame, o aprendizado era rápido e sem dificuldades, inclusive com o domínio do idioma que instruía para jogar, no caso o idioma inglês. Declarava o referido aluno que a escola era algo que fazia por obrigação, exceto as aulas de Educação Esportiva – por ser aficionado por esportes.

O fato é que o estudante desmotivado pode construir um autoconceito negativo sobre suas potencialidades – reforçado pela escola e pela família, além de uma inabilidade para relacionar as tarefas com seus objetivos.

Por esse prisma, a hipnose pode ser extremamente útil na educação, merecendo maior atenção dos educadores. O aluno deve ser estimulado e motivado, apreendendo para aprender.


* O Referido trabalho foi publicado no livro Aspectos Atuais da Hipnologia, Dr. Antonio Carlos de Moraes Passos e Dr. Oscar Farina, Linográfica Editora, 1961.